Ser bipolar, a dificuldade de o ser

Ser bipolar, a dificuldade de o ser

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 Ser bipolar não é para todos mas há sobreviventes, eu por enquanto sou uma. 

15 Mar 2025

As facas na minha vida 

As facas na minha vida

18 Nov 2023

Quem sou

Eu chamo me Maria Madalena Moreira de Carvalho de Gouvêa Lemos.  Tenho 66 anos e vivo com o meu companheiro há 7 anos. Moro na Quinta do Conde, Sesimbra em Portugal . 

Tenho 4 filhos todos do mesmo casamento os quais já têm vida própria. O Rodrigo com 46 anos, a Débora com 43 anos,  o João com 39 anos e o Nuno com 29 anos.

Deram me 6 netos de quem nutro um amor incondicional. Por eles sou capaz de tudo. 

Boa leitura. 


8 Nov 2023
Adolescência

Adolescência

Como tudo começou

Sobreviver com esta doença é doloroso pois o cérebro mais parece uma montanha russa,devido a várias sensações ao mesmo tempo.

Voltando aos meus quinze anos de idade.

Enquanto dormia estava bem tranquila sonhando como tudo o que se passava em casa não passava disso mesmo, um pesadelo..

Depois diminuiram a dosagem do Xanax ficando mais tempo acordada tentando me inserir na família. Já não havia muito choro.


Só que não queria falar com ninguém, estava tentando me situar entre eu e o Pai, a relação que tinha com o Pai era de fã para ídolo, sempre foi o meu herói, o meu orgulho.

Com a partida dele, se foi um bocado de mim ficando órfã de sensações. A família tentou várias maneiras para eu voltar à terra, sem obter algum sucesso. Estavam preocupados.

Pobre da minha amada Mãe, tanta dor que sofreu sem demonstrar aos cinco filhos. Ela foi a nossa força.

Enquanto fiquei isolada verbalmente via o Pai a entrar dentro de uma loja ou a dirigir um carro. Mais tarde falei com a Tia Marina que era psicóloga e acalmou o meu coração dizendo que fazia parte do luto.  Era terrível ,eram momentos mistos, uns está vivo e outros está morto. Superei e aos poucos fui enterrando o Pai físico para o Pai moral.

Mantive o Xanax como apoio e já viciada, a minha prima Madalena, na brincadeira, tirou me o frasco o qual nunca mais o vi. Foi o melhor que ela fez.

Agora começo por falar da minha infância que foi de uma criança feliz até então aos quinze anos perder o Pai fazendo que a Mãe e o meu irmão mais velho decidirem que voltaríamos a Moçambique mais precisamente Vila Pery (Chimoio) para ficarmos perto dos Tios e primos que nos acompanharam desde bem pequeninos.

Nada havia de anormal no meu comportamento,apenas uma adolescente irreverente, com amigas do peito e amigos a quem éramos chamados de freaks.  Cabelos compridos, calças à boca de sino, vestidos compridos e chinelos de couro com solas de pneu.

Vivi dois anos e meio maravilhosos, junto a pessoas do bem com a vida que muito me ajudaram a amenizar a dor da falta do Pai.

Hoje já é dia 15 de Novembro de 2023. Dei uma pausa para refletir sobre o que vou falar.

Em 7 de Setembro de 1974 estava em Maputo, quando houve uma rebelião derivada aos reacionários, como o Engenheiro Jorge Jardim, de então, não aceitarem que Moçambique fôsse entregue a quem de direito, à Frelimo na altura.   . Fica embaixo o link do que se passou.

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-revolta-do-radio-clube/

Foram momentos bem intensos só apaziguados com a presença da Mãe que controlava os cinco filhos, já então viúva 

Resolveu-se retornarmos ao Brasil, Rio de Janeiro aonde os Tios paternos nos esperavam. Embarcámos num navio cargueiro levando só a nossa roupa. A viagem foi tranquila tirando a passagem pelo Cabo da Boa Esperança com uma grande tempestade.

Até al não tive manifestações de bipolaridade.

Chegando ao Rio de Janeiro comecei a trabalhar no Banco Veplan, com 17 anos,como rececionista para ajudar nas despesas da casa da Mãe.

Foi aí que apareceu o que seria o Pai dos meus quatro filhos. Tinha aí apenas 19 anos mas achando que seria feliz.

Mal sabia eu que me tornaria uma pessoa de mistura de tristeza absoluta ou euforia excessiva, devido aos maus tratos que o pai dos meus quatro filhos me fazia.

Ouvir o barulho da porta sabendo que era ele a chegar me punha tensa. O que me esperava aquela noite?

Depois das crianças estarem deitadas começava a pressão para eu telefonar para o meu irmão António Maria a pedir dinheiro emprestado o qual nunca foi pago.

Um dia depois de ele me agredir fisicamente disse lhe que ía telefonar para o meu irmão José Paulo quando começou a implorar me que não o fizesse, mas telefonei e o Zé Paulo pronto para dar um basta naquilo. Eu estava no quarto e comecei a dizer que a culpa era minha ( próprio de vítimas de violência ), pois vi o meu irmão quase a atirar se ao covarde. 

As alturas que engravidava sentia me plena por carregar um ser que era meu e havia respeito pela parte do outro.

Depois começava de novo a violência física, psicológica e sexual.

Não contava a ninguém o que se passava lá em casa e sempre mostrava exatamente que tudo era belo pois os maus tratos eram feitos quando as crianças dormiam e sem ninguém estar presente.

Houve tentativas por minha parte de divórciar me, coisa que a minha família achava loucura da minha parte visto que para eles o outro era o marido exemplar. " Poderia mesmo ser um psicopata?"

Vinham as desculpas que não voltaria a acontecer e lá vinha mais uma gravidez.

Foram 24 anos de sofrimento sem ninguém perceber, nem mesmo com as lágrimas a correrem me pelas faces pois já não controlava nada a não ser pôr um sorriso nos lábios para que as crianças não percebessem.

Num dia e agora já com a presença dos filhos mais novos, numa nova discussão ele deu-me um grande ponta-pé no ventre ficando bem dolorida indo para as urgências do hospital de Faro aonde fui atendida por um médico que ao saber o que se tinha passado disse me para que quando descesse fôsse fazer queixa ao polícia que estava lá embaixo e sendo firme disse, mimha senhora homens como ele quando partem para pontapés no ventre a próxima você voltará bem pior.

Foi aí que parti para o divórcio, a melhor atitude que tomei.

Segurei este casamento durante 24 anos para dar um lar completo para os meus filhos para chegar à  conclusão que estaria a tornar os meus filhos infelizes, principalmente o João e o Nuno

Para mim, ser mãe era o melhor que havia em mim, não podia continuar com este horror. 

Claro com o que se passou a minha bipolaridade espoletou. 

As agressões pioraram depois de virmos morar em Portugal. Os dias só eram melhores quando ele não estava em casa. 

Ele tudo fez para que eu saísse de casa e as torturas eram constantes. Até que o meu primo João Moreira de Carvalho foi lá casa para a Carolina brincar com o Nuno,disse-me "Bebé, deixa de cozinhar, passar a roupa e tudo o que fazes para ele e aí sim ele sairá cá de casa"

Assim o fiz e mudei me para o sofá cama da sala.

Foi uma luta dolorosa pois ele torturava me quando chegava à noite comigo já deitada ligava a televisão aos berros e punha se a falar coisas horríveis. 

Mas consegui e como foi maravilhoso aliviar a tensão tão negativa. 


Houve uma vez que o predador agarrou me o cabelo que na altura era comprido e arrastou me de costas pelo chão para me prender na dispensa só que eu tinha um jarro de plástico, pois andava a regar as plantas e dei lhe com ele na testa abrindo um pequeno corte do qual se aproveitou para fazer um drama pondo se como se a vítima fôsse ele perante os filhos e a minha amiga Teka. 


Eu e as facas

Sobreviver com esta doença é doloroso pois o cérebro mais parece uma montanha russa,devido a várias sensações ao mesmo tempo.

Voltando aos meus quinze anos de idade.

Enquanto dormia estava bem tranquila sonhando como tudo o que se passava em casa não passava disso mesmo, um pesadelo..

Depois diminuiram a dosagem do Xanax ficando mais tempo acordada tentando me inserir na família. Já não havia muito choro por parte dos outros irmãos 


Eu e as facas

Para que não tenhas medo em que eu possa fazer uso de facas Rodrigo. A isso se chama estigma. 

A primeira vez que usei a faca foi em Loulé para me defender do vosso pai que vinha para bater me e fui de costas até a cozinha e pensei” estes homens que batem em mulheres não passam de uns covardes” e com a ameaça da faca parou de me seguir começando a dizer “com faca não Bebe", foi quando vocês vieram ver. Nunca passou pela cabeça usar, pois ele parou de vir para cima de mim para me agredir pondo a certeza que era um grande covarde. 

Depois de uns dias ele deu-me um grande pontapé no ventre tendo eu que ir para as urgências do hospital de Faro e o médico que me assistiu disse-me que eu fosse fazer queixa ao polícia do hospital. Dizendo-me que homens que batem no ventre de uma mulher na próxima eu voltaria ao hospital em pior estado

Foi quando resolvi dar um basta, já não aguentava mais!


A outra vez foi em Almoçageme (Praia da Adraga).

Era constantemente perturbada por um grupo de rapazes dos seus 20 e tal anos, até terem dado um pontapé na minha Freak, ao ponto de ela ganir. Ameacei-os para que não voltassem a fazê-lo.

Até que um dia dois deles chamaram-me de cadela, quando eu tinha adotado o Lord e estava a dizer-lhes que tinha mais um e um deles disse-me que não eram cinco mas sim seis o que logo não percebi mas a sexta era eu.

Não sou mulher de levar desaforo e peito.

Soube que havia um jantar na pastelaria da aldeia na rua da minha casinha pequenina mas bem aconchegante e cheio de amor canino, resolvi ir buscar uma faca dos talheres de mesa e assustá-los na saída e aí eles assustaram-se, um deu-me um pontapé na mão e a faca voou longe, imagina a força que tenho que nem uma faca consigo agarrar como deve ser, quanto mais ferir alguém, perco eu emocionalmente e até fisicamente e levada pela polícia para a esquadra e depois para o hospital S. José vista por uma psiquiatra que disse logo, esta senhora já não sai daqui e fui transportada numa ambulância para o bloco de bipolares no Júlio de Matos, onde fui sempre bem tratada.


Jamais magoaria os meus próprios filhos, muito menos um neto que tanta falta me fazem


Não tenhas medo Rodrigo, o estalo que te dei na casa da Amadora foi por tu teres levado a Lena a minha casa para levarem-me para um hospital não sei qual.

Eu sou bipolar e não maluca, Rô.

Cumpro com o acompanhamento de três grandes médicas, cada uma na sua área e tenho conseguido dar grandes passos para a melhoria do meu bem estar.

Não tenhas medo!

Beijo,

Mãe



http://pensamentoseespiritualidade.blogspot.com/

---------- Forwarded message ---------
De: Madalena Lemos <[email protected]>
Date: sábado, 8/03/2025, 17:05
Subject: Não tenhas receio das faca@
To: <[email protected]>
Cc: <[email protected]>, [email protected] <[email protected]>, <[email protected]>


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meus irmãos não querendo dizer que eles não sofriam também a perda do Pai.

Só que não queria falar com ninguém, estava tentando me situar entre eu e o Pai, a relação que tinha com o Pai era de fã para ídolo, sempre foi o meu herói, o meu orgulho.

Com a partida dele, se foi um bocado de mim ficando órfã de sensações. A família tentou várias maneiras para eu voltar à terra, sem obter algum sucesso. Estavam preocupados.

Pobre da minha amada Mãe, tanta dor que sofreu sem demonstrar aos cinco filhos. Ela foi a nossa força.

Enquanto fiquei isolada verbalmente via o Pai a entrar dentro de uma loja ou a dirigir um carro. Mais tarde falei com a Tia Marina que era psicóloga e acalmou o meu coração dizendo que fazia parte do luto.  Era terrível ,eram momentos mistos, uns está vivo e outros está morto. Superei e aos poucos fui enterrando o Pai físico para o Pai moral.

Mantive o Xanax como apoio e já viciada, a minha prima Madalena, na brincadeira, tirou me o frasco o qual nunca mais o vi. Foi o melhor que ela fez.

Agora começo por falar da minha infância que foi de uma criança feliz até então aos quinze anos perder o Pai fazendo que a Mãe e o meu irmão mais velho decidirem que voltaríamos a Moçambique mais precisamente Vila Pery (Chimoio) para ficarmos perto dos Tios e primos que nos acompanharam desde bem pequeninos.

Nada havia de anormal no meu comportamento,apenas uma adolescente irreverente, com amigas do peito e amigos a quem éramos chamados de freaks.  Cabelos compridos, calças à boca de sino, vestidos compridos e chinelos de couro com solas de pneu.

Vivi dois anos e meio maravilhosos, junto a pessoas do bem com a vida que muito me ajudaram a amenizar a dor da falta do Pai.

Hoje já é dia 15 de Novembro de 2023. Dei uma pausa para refletir sobre o que vou falar.

Em 7 de Setembro de 1974 estava em Maputo, quando houve uma rebelião derivada aos reacionários, como o Engenheiro Jorge Jardim, de então, não aceitarem que Moçambique fôsse entregue a quem de direito, à Frelimo na altura.   . Fica embaixo o link do que se passou.

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-revolta-do-radio-clube/

Foram momentos bem intensos só apaziguados com a presença da Mãe que controlava os cinco filhos, já então viúva 

Resolveu-se retornarmos ao Brasil, Rio de Janeiro aonde os Tios paternos nos esperavam. Embarcámos num navio cargueiro levando só a nossa roupa. A viagem foi tranquila tirando a passagem pelo Cabo da Boa Esperança com uma grande tempestade.

Até al não tive manifestações de bipolaridade.

Chegando ao Rio de Janeiro comecei a trabalhar no Banco Veplan, com 17 anos,como rececionista para ajudar nas despesas da casa da Mãe.

Foi aí que apareceu o que seria o Pai dos meus quatro filhos. Tinha aí apenas 19 anos mas achando que seria feliz.

Mal sabia eu que me tornaria uma pessoa de mistura de tristeza absoluta ou euforia excessiva, devido aos maus tratos que o pai dos meus quatro filhos me fazia.

Ouvir o barulho da porta sabendo que era ele a chegar me punha tensa. O que me esperava aquela noite?

Depois das crianças estarem deitadas começava a pressão para eu telefonar para o meu irmão António Maria a pedir dinheiro emprestado o qual nunca foi pago.

Um dia depois de ele me agredir fisicamente disse lhe que ía telefonar para o meu irmão José Paulo quando começou a implorar me que não o fizesse, mas telefonei e o Zé Paulo pronto para dar um basta naquilo. Eu estava no quarto e comecei a dizer que a culpa era minha ( próprio de vítimas de violência ), pois vi o meu irmão quase a atirar se ao covarde. 

As alturas que engravidava sentia me plena por carregar um ser que era meu e havia respeito pela parte do outro.

Depois começava de novo a violência física, psicológica e sexual.

Não contava a ninguém o que se passava lá em casa e sempre mostrava exatamente que tudo era belo pois os maus tratos eram feitos quando as crianças dormiam e sem ninguém estar presente.

Houve tentativas por minha parte de divórciar me, coisa que a minha família achava loucura da minha parte visto que para eles o outro era o marido exemplar. " Poderia mesmo ser um psicopata?"

Vinham as desculpas que não voltaria a acontecer e lá vinha mais uma gravidez.

Foram 24 anos de sofrimento sem ninguém perceber, nem mesmo com as lágrimas a correrem me pelas faces pois já não controlava nada a não ser pôr um sorriso nos lábios para que as crianças não percebessem.

Num dia e agora já com a presença dos filhos mais novos, numa nova discussão ele deu-me um grande pontapé no ventre ficando bem dolorida indo para as urgências do hospital de Faro aonde fui atendida por um médico que ao saber o que s

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Maria Madalena Moreira de Carvalho de Gouvêa Lemos
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